Gestão emocional no luto

O que é uma perda?

As perdas são episódios relativamente comuns na vida dos indivíduos adultos. A perda de um ente querido pode dever-se a vários motivos, entre eles o falecimento do mesmo. Nestas alturas, a pessoa que vivencia a perda terá que levar a cabo um processo de adaptação, que lhe permita recuperar adequadamente da perda sofrida, sendo este processo denominado luto. O processo de luto ocorrerá como resposta à quebra de uma relação de vinculação estabelecida com outro indivíduo.

Qual a importância do processo de luto?

O luto envolve reações normais como ansiedade, com sintomatologia física de vários tipos, preocupação com a imagem da pessoa que faleceu, culpa relacionada com a pessoa que faleceu ou as circunstâncias da sua morte, reações hostis e incapacidade para funcionar como anteriormente.

O processo de luto é necessário sempre que ocorre uma perda significativa na vida de um indivíduo, sendo que existem várias tarefas do luto que devem ser levadas a cabo para que se complete o luto e o normal funcionamento do indivíduo seja restabelecido.

O processo de adaptação da pessoa à perda será realizado através de quatro tarefas, que se não forem todas completadas pode prejudicar o bem-estar do indivíduo no futuro.

Quais são as tarefas do processo de luto?

Aceitar a realidade da perda

A primeira tarefa do luto consiste em enfrentar e aceitar a realidade de que a pessoa realmente faleceu e não irá voltar. Esta tarefa pode levar algum tempo a ser completada. No entanto, rituais culturais como o velório podem promover a aceitação e ajudar a pessoa a ultrapassar esta primeira fase.

Processar a dor da perda

Na segunda tarefa, o indivíduo deve processar a dor da perda, que pode ser física, emocional e/ou comportamental, dependendo muito da forma como cada pessoa experiencia a situação. A dor do luto é normal e é muito importante que a pessoa enlutada reconheça a sua dor e não tente evitar ou suprimir a mesma, o que resulta no prolongamento do processo.

Ajustar-se a um novo contexto

A terceira tarefa é constituída pelo ajustamento da pessoa a um novo ambiente, em que a pessoa que faleceu já não está presente. Nesta fase, terá que existir uma redefinição de papéis e um ajustamento do próprio sentido da pessoa em relação à morte. Ao longo do tempo, os indivíduos vão começando a desempenhar novos papéis e tarefas e ajustando-se ao ambiente e ao seu dia-a-dia, desenvolvendo novas competências e reavaliando o novo sentido do mundo.

Reformular a ligação emocional com a pessoa falecida

Por fim, a quarta e última tarefa do processo de luto envolve a continuação da vida da pessoa enlutada, com reposicionamento da pessoa que faleceu em termos emocionais. Nesta fase, é necessário conseguir encontrar um local na sua vida psicológica para manter a pessoa falecida, deixando espaço para que novas pessoas significativas possam aproximar-se.

Quando é que o processo de luto termina?

O processo de luto termina quando as quatro tarefas descritas anteriormente são realizadas e completadas. É importante referir que as mesmas não têm que ser realizadas, obrigatoriamente, na ordem descrita.

É essencial que haja a perceção de que existirá sempre um sentimento de tristeza quando a pessoa falecida vem ao pensamento, no entanto, quando o luto está completo, já não existe a vertente dolorosa vivenciada antes.

O que é o luto patológico?

O luto complicado ou patológico é definido como a intensificação do luto, em que a pessoa não progride no processo definido anteriormente. Ocorre quando a pessoa mantém uma saudade persistente do falecido, mágoa intensa, choro frequente ou preocupação com o falecido e circunstâncias da morte. Observam-se também sintomas relacionados com um grande mal-estar emocional reativo face à perda, como dificuldade em ter memórias positivas sobre o falecido ou evitamento excessivo de lembranças da perda, e de disrupção social e/ou de identidade, como desejo de morrer para encontrar o indivíduo falecido ou sentir-se só e desligado de outras pessoas. Além disso, a reação é desajustada face às normas culturais, religiosas e à idade do indivíduo e a sintomatologia interfere significativamente com a vida da pessoa, a nível social, ocupacional e outras áreas importantes. Os sintomas apresentados são considerados patológicos após 12 meses da perda em adultos e 6 meses em crianças.

Qual o tratamento do luto patológico?

O luto patológico pode ser tratado, recorrendo a serviços de saúde mental.

O recurso à psicoterapia mostra-se de extrema importância para a identificação e facilitação da resolução das dificuldades que emergem no processo de luto complicado.

O acompanhamento psicológico oferece um espaço acolhedor de cuidado e escuta para que seja possível desenvolver o processo de elaboração do luto.

A psiquiatria também pode desempenhar um papel complementar relevante, ao ajudar a estabilizar a sintomatologia depressiva e/ou ansiosa mais perturbadora.


1 de Novembro de 2021